quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Manual de Mínimo Impacto

Depois de algumas polêmicas envolvendo alguns points de escalada no Brasil em virtude do mal comportamento de algumas pessoas, resolvi publicar o Manual de Mínimo Impacto. Um documento de referência que pode servir para muitos que andam torrando o filme por ai.

PEGA LEVE ! – Mínimo Impacto em Ambientes Naturais

Planejamento é fundamental

  • Entre em contato prévio com a administração da área que você vai visitar para tomar conhecimento dos regulamentos e restrições existentes.
  • Informe-se sobre as condições climáticas do local e consulte a previsão do temo antes de qualquer atividade em ambientes naturais.
  • Viaje em grupos pequenos de até 10 pessoas. Grupos menores se harmonizam melhor com a natureza e causam menos impacto.
  • Evite viajar para áreas populares durante feriados e férias.
  • Certifique-se de que você possui uma forma de acondicionar seu lixo (sacos plásticos), para trazê-lo de volta. Aprenda a diminuir a quantidade de lixo, deixando em casa as embalagens desnecessárias.
  • Escolha as atividades que você vai realizar na sua visita conforme o seu condicionamento físico e seu nível de experiência.

Você é responsável por sua segurança

  • O salvamento em ambientes naturais é caro e complexo, podendo levar dias e causar grandes danos ao ambiente. Portanto, em primeiro lugar, não se arrisque sem necessidade.
  • Calcule o tempo total que passará viajando e deixe um roteiro de viagem com alguém de confiança, com instruções para acionar o resgate, caso necessário.
  • Avise a administração da área que você está visitando sobre: sua experiência, o tamanho do grupo, o equipamento que vocês estão levando, o roteiro e a data esperada de retorno. Estas informações facilitarão o seu resgate em caso de acidente.
  • Aprenda as técnicas básicas de segurança, como navegação (saiba usar um mapa e uma bússola) e primeiros socorros. Para tanto, procure clubes excursionistas, escolas de escalada, etc...
  • Tenha certeza de que você dispõe do equipamento apropriado para cada situação. Acidentes e agressões à natureza em grande parte são causados por improvisações e uso inadequado de equipamento.
  • Leve sempre os itens essenciais: lanternas, agasalho, capa de chuva, chapéu, um estojo de primeiros socorros, alimento e água, mapa e bússola, mesmo em atividades com apenas um dia ou poucas horas de duração.
  • Caso você não tenha experiência, não se arrisque sozinho em atividades recreativas em ambientes naturais, entre em contato com centros excursionistas, empresas de ecoturismo ou condutores de visitantes. Visitantes inexperientes podem causar impactos sem perceber e correr riscos desnecessários.

Cuide das trilhas e dos locais de acampamento

  • Mantenha-se nas trilhas pré-determinadas – não use atalhos. Os atalhos favorecem a erosão e a destruição das raízes e plantas inteiras.
  • Mantenha-se na trilha mesmo se ela estiver molhada, lamacenta ou escorregadia. A dificuldade das trilhas faz parte do desafio de vivenciar a natureza. Se você contorna a parte danificada de uma trilha, o estrago se tornará maior no futuro.
  • Acampando, evite áreas frágeis que levarão um longo tempo para se recuperar após o impacto. Acampe somente em locais pré-estabelecidos, quando existirem. Acampe a pelo menos 60 metros de qualquer fonte de água.
  • Não cave valetas ao redor de barracas, escolha melhor o local e use um plástico sob a barraca.
  • Bons locais de acampamento são encontrados, não construídos. Não corte nem arranque a vegetação, nem remova pedras ao acampar.
  • Remova todas as evidências de sua passagem ao percorrer uma trilha e ao sair de uma área de acampamento. Certifique-se que esses locais permanecem como se ninguém houvesse passado por ali.

Traga seu lixo de volta

· Embalagens vazias pesam pouco e ocupam um espaço mínimo em sua mochila. Se você pode levar uma embalagem cheia para um ambiente natural, pode trazê-la vazia na volta.

· Não queime nem enterre o lixo. As embalagens podem não queimar completamente, e animais podem cavar até o lixo e espalhá-lo. Traga todo o seu lixo de volta com você.

· Utilize as instalações sanitárias que existirem.

· Caso não haja instalações sanitárias (banheiros) na área, cave um buraco com quinze centímetros de profundidade a pelo menos 60 metros de qualquer fonte de água, trilhas ou locais de acampamento, em local onde não seja necessário remover a vegetação.

· Traga papel e outros produtos higiênicos de volta.

· Não use sabão nem lave utensílios e panelas em fontes de água naturais. Lave o que for necessário a pelo menos 60 metros das fontes d’água.

Deixe cada coisa em seu lugar

  • Não construa qualquer tipo de estrutura, como bancos, mesas, pontes, etc. Não quebre ou corte galhos de árvores, mesmo que estejam mortas ou tombadas, pois podem estar servindo de abrigo para aves ou outros animais.
  • Resista à tentação de levar “lembranças” para casa. Deixe pedras, artefatos, flores, conchas, etc. onde você os encontrou, para que outros também possam apreciá-los.
  • Tire apenas fotografias, deixe apenas suas pegadas, e leve para casa apenas suas memórias.

Evite fazer fogueiras

  • Fogueiras empobrecem o solo, enfeiam os locais de acampamento e representam uma grande causa de incêndios florestais.
  • Para cozinhar, utilize um fogareiro próprio para acampamento. Os fogareiros modernos são leves e fáceis de usar. Cozinhar com um fogareiro é muito mais rápido e prático que acender uma fogueira.
  • Para iluminar, utilize um lampião ou lanterna em vez de uma fogueira.

Respeite os animais e as plantas

  • Observe os animais a distância. A proximidade pode ser interpretada como uma ameaça e provocar um ataque, mesmo de pequenos animais. Além disso animais silvestres podem transmitir doenças graves.
  • Não alimente animais. Os animais pode acabar se acostumando com comida humana e passar a invadir os acampamentos em busca de alimento, danificando barracas, mochilas e outros acampamentos.
  • Não retire flores e plantas silvestres. Aprecie sua beleza no local, sem agredir a natureza e dando a mesma oportunidade a outros visitantes.

Seja cortês com outros visitantes e com a população local

  • Ande e acampe em silêncio, preservando a tranqüilidade e a sensação de harmonia que a natureza oferece. Deixe rádios e instrumentos sonoros em casa.
  • Trate os moradores da região com cortesia e respeito. Mantenha as porteiras fechadas e não entre em casas e galpões sem pedir permissão. Seja educado e comporte-se como se estivesse visitando uma casa alheia. Aproveite para aprender algo sobre hábitos e a cultura do meio rural.
  • Prefira contratar os meios locais de hospedagem, transporte e serviços. Desse modo, você estará colaborando para que os recursos financeiros permaneçam na comunidade.
  • Deixe os animais domésticos em casa,,pois podem causar problemas sérios como a introdução de doenças e ameaças ao meio ambiente natural. Caso traga o seu animal com você, mantenha-o controlado todo o tempo. As fezes dos animais devem ser tratadas da mesma maneira que as humanas. Elas também estão sob a sua responsabilidade. Muitas áreas não permitem a entrada de animais domésticos, verifique com antecedência.
  • Evite usar cores fortes que podem ser vistas à quilômetros e quebram a harmonia dos ambientes naturais. Use roupas e equipamentos de cores neutras, para evitar a poluição visual em locais muito freqüentados. Para chamar a atenção de uma equipe de socorro, em caso de emergência, tenha em sua mochila um plástico ou tecido laranja, com pelo menos 2 metros quadrados.
  • Colabore com a educação de outros visitantes, transmitindo os princípios de mínimo impacto sempre que houver oportunidade.

Mínimo impacto em áreas naturais: uma questão de atitude !

Com a popularização do ecoturismo, milhares de pessoas procuram os ambientes naturais como os Parques Nacionais e Estaduais, além de outras áreas protegidas, para atividades de lazer que vão desde um simples passeio até a prática de esportes de natureza. Nesses locais, onde a natureza precisa ser tratada com cuidado e respeito, não é possível realizar trabalhos de limpeza e recuperação da mesma forma como acontece nas cidades. Portanto, a proteção e a conservação das áreas naturais depende muito do seu comportamento.

Você pode evitar o impacto da poluição e da destruição das áreas que freqüenta. É só seguir as recomendações apresentadas nesse folheto. Elas ajudam a proteger o meio ambiente, dão maior prazer à sua visita e previnem acidentes, que nesses lugares afastados podem ter graves conseqüências.

A ética e as práticas de mínimo impacto estão sendo adotadas em todo o planeta. Seguindo os oito princípios de mínimo impacto e divulgando o conteúdo dessa publicação, você estará ajudando a preservar os lugares que vem desfrutando hoje, mantendo-os sempre na melhor condição para você e para os demais visitantes.

Esse folheto constitui a base de um conjunto de publicações que apresenta a ética de mínimo impacto voltada para os principais biomas brasileiros e para as atividades mais praticadas, como caminhadas e acampamento, montanhismo, exploração de cavernas e corridas de aventura, que podem ser encontrados na Internet em http://www.pegaleve.org.br .

As atitudes aqui recomendadas são genéricas e muitas escolhas dependem do seu bom senso. Essas escolhas vão se tornando mais fáceis à medida que se adquire experiência com a ética e as práticas de mínimo impacto.

O mais importante é você lembrar que praticar o mínimo impacto é uma questão de atitude.

O CEU – Centro Excursionista Universitário – é uma associação sem fins lucrativos que há mais de 30 anos dedica-se à prática, desenvolvimento e difusão de atividades esportivas e de lazer em ambientes naturais. As principais atividades praticadas são: caminhada, montanhismo e escalada, canoagem, exploração de cavernas, mountain-bike, e fotografia de natureza. A experiência acumulada ao longo de tantos e tantas excursões pelo Brasil e pelo exterior, levaram ao crescente comprometimento com a conservação dos locais freqüentados e amados por todos nós, forjando essa ética para o mínimo impacto entre associados e participantes. O CEU é filiado à FEMESP – Federação de Montanhismo do Estado de São Paulo.

Participe !

Para colaborar ativamente na conservação dos locais que você freqüenta e aprecia:

Apresente-se como voluntário nas campanhas de limpeza, manutenção das trilhas e vias de acesso a estas áreas, bem como em ações e campanhas que colaborem para a conservação do ambiente. Envolva-se e participe das discussões sobre acessibilidade, abertura de novas áreas, organização de grupos de resgate, etc. A participação ativa de todos é muito importante para que o ecoturismo desenvolva-se de forma organizada, consistente e em harmonia com a conservação dos recursos naturais

Incentive e pratique a convivência positiva entre visitantes, condutores e guias, proprietários de áreas privadas e administradores de áreas protegidas e unidades de conservação, obedecendo aos regulamentos que se apliquem a cada local.

Apóie as organizações de defesa do meio ambiente e prestigie seus programas, projetos e ações com contribuições, trabalho voluntário ou associando-se a elas, quando for o caso.

Associe-se

Aprenda e informe-se sobre as técnicas de mínimo impacto e incorpore-se na sua rotina de excursionismo e viagens. Associe-se a um grupo excursionista. Grupos excursionistas são entidades sem fins lucrativos que promovem atividades como caminhadas, montanhismo, canoagem, exploração de cavernas, etc. Nestes grupos você encontrará companhia, treinamento e orientação para a prática dessas atividades com segurança e sem agredir o meio ambiente.

Para saber mais: www.pegaleve.org.br


Um comentário:

Miriam Chaudon disse...

Bacana a iniciativa!